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Modismo

Modismos dos anos 80

Jacqueline Cabral – Publicitária por profissão e fashionista por paixão

Mocinhas e rapazes que hoje transitam pela faixa dos 40, confessem: vocês usaram calca baggy ou semi baggy. E atire a primeira pedra quem já não repicou os cabelos no estilo mullet (Chitãozinho e Xororó, lembram?). Tem mais: quem já não teve ou quis muito ter – sim, porque eles desapareciam das prateleiras assim que chegavam – um acessório emborrachado da Company? E que mulher era mulher de sair de casa sem o seu poderoso sutiã de ombreiras?

Ao contrário do que muitos pensam, a década de 80 não pertence a quem nasceu na época. Pertence a quem viveu. Pertence a quem colecionava papeis de carta, borrachinhas com cheiro, calçava kichutes, bambas, top siders e morria de inveja daquele amigo que tinha um All Star importado. Pertence às gatinhas que vestiam Cantão 4, Philippe Martin, Fiorucci e Fabricatto, e aos gatinhos – surfistas ou não – que desfilavam em suas bermudas de velcro Hang Loose devidamente acompanhadas de camisas Ala Moana e Cristal Grafitti.

Tênis da Redley de duas cores e Reebok eram preferências de meninos e meninas. Outra coisa certa, independente do sexo, era que todos tinham medo da loura do banheiro.

Conhecida como a década da opulência, a moda seguia as referências da TV e do cinema. Enquanto os vídeoclips ditavam as regras dos mais jovens e os laçarotes de tule eram imortalizados por Madonna em Procura-se Susan Desesperadamente, mulheres maduras a-do-ra-vam o estilo ostensivo das musas de Dallas. Os yuppies (young urban professionals), jovens executivos ávidos por status, também eram outro movimento. E os shoppings tornaram-se o paraíso na terra dos consumistas de plantão.

Mas não bastava ser bem sucedido e bem vestido. Nessa década, ter um corpo bonito era fundamental para o sucesso. E seguindo pelo caminho do exagero que pautou os 80, a ginástica aeróbica chegou com tudo. Enquanto Jane Fonda vendia como água o seu vídeo cassete de como manter a forma usando polainas e faixas atoalhadas na testa, mulheres corriam às lojas para garantir o seu biquíni asa delta. O modelo de duas cores – sempre fluorescentes – que enrolava na parte de baixo, era o grande campeão da areia. Issa!, clamava Paulo Cintura, outro ícone da geração saúde.

A geração new wave, mais um marco desses tempos, fazia a cabeça com gels purpurinados e multicoloridos. Prova disso foi o mega sucesso da tenda que uma marca de cosméticos internacional instalou no Rock in Rio I especialmente para esculpir a cabeleira dos adeptos. Sem dúvidas, um dos maiores hits do festival.

Os oitenta ainda abriram espaço para outras tribos – como eram chamados – e cada grupo tinha o seu próprio dress code. Os punks com seu visual carregado, os grunges com seus jeans desbotados e camisas xadrez, os darks, os góticos... Mais um dos excessos de uma época onde se comemorava, muitas vezes sem saber como, a nossa recente abertura democrática.

Botas brancas e o visual by Xuxa, pochete na cintura e calça jeans strech foram outros marcos da moda oitentista. Muitos deles voltaram e estão por aí entre nós. Repare nas unhas azuis ou de cores fluorescentes que pintaram nas mãozinhas mais bem cuidadas do verão 2010. Fique de olho também nos óculos modelo wayfarer, presentes nas festas mais descoladas do planeta, chova ou faça sol. Tênis Vans, mangas morcego e até as malfadadas ombreiras voltaram às paginas da moda atual. Estas últimas, com nome novo. Ombreiras agora se chamam ombros marcados, ok? Très chic.

Estilistas que davam as cartas como Christian Lacroix, Karl Lagerfeld, Jean Paul Gautier, Giorgio Armani e Rei Kawakubo, continuam ditando as regras do jogo, estabelecendo tendências e dando muito o que falar mundo afora. Prova de que os anos oitenta podem não ter sido pra todos, mas vão ficar para sempre. Sem exageros.

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